Educar crianças e adolescentes com gentileza e firmeza, ensinando-os habilidades sociais, como capacidade de cooperação, responsabilidade, resolução de problemas, entre outras, é colocar em prática a Disciplina Positiva, abordagem que incentiva o respeito mútuo e a melhor conexão entre pais e filhos e também entre professores e alunos. “Esse programa – que visa buscar o equilíbrio entre a educação permissiva e a autoritária – cria um ambiente de harmonia e relações saudáveis”, declara a professora Bernadette Pereira Rodrigues, mestre em linguística aplicada e especialista em Disciplina Positiva. Na entrevista a seguir, ela orienta como aplicar esse conceito, inclusive na prevenção da obesidade infantil.

 

OIN – O que é a Disciplina Positiva?

BERNADETTE PEREIRA RODRIGUES – A Disciplina Positiva é uma abordagem desenvolvida pela psicóloga e educadora americana Jane Nelsen (autora do livro “Disciplina Positiva” e coautora de “Disciplina Positiva em Sala de Aula”, da editora Manole) a partir das teorias  dos psiquiatras vienenses Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, elaboradas no século XX.  Eles afirmavam que as crianças precisavam tanto de ordem (estrutura e responsabilidade) quanto de liberdade para crescer como cidadãos contribuintes e responsáveis em suas comunidades. Jane, hoje com 80 anos, mãe de sete filhos, com 22 netos e sete bisnetos, enfatiza o respeito mútuo entre adultos, crianças e adolescentes e ensina pais e professores a serem firmes e gentis ao mesmo tempo. Só assim, assegura Jane, qualquer criança – desde os primeiros anos de vida – pode aprender a cooperar e ter autodisciplina, sem prejuízo à sua autoestima e à sua dignidade. Em seus livros, que traduzi, ela diz: “De onde tiramos a absurda ideia de que, para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-la se sentir pior?”

 

OIN Quais são os critérios que definem a Disciplina Positiva?

BERNADETTE –Eles são cinco. O primeiro é ajudar a criança a se sentir conectada, isto é, fazer com que ela perceba que pertence à família/escola, que seja valorizada. A Disciplina Positiva também encoraja o respeito mútuo, propõe que os pais e os professores usem a firmeza e a gentileza ao mesmo tempo. E a abordagem tem de funcionar em longo prazo, e sempre considerar o que a criança está pensando, sentindo, aprendendo e decidindo sobre si mesma e sobre seu meio social, e o que fazer no futuro para sobreviver e para ser um adulto bem- sucedido. Na Disciplina Positiva ensinamos habilidades sociais e de vida, o respeito, o cuidado para com os outros, a resolução de problemas e cooperação. E incentivamos a criança a descobrir suas capacidades, com autonomia. A abordagem fica entre a educação autoritária e permissiva. Na rigidez existe ordem, mas sem liberdade e sem escolhas. No outro extremo, as crianças não têm limites. As duas propostas não funcionam. A ideia é ouvir mais os seus filhos, mas preste atenção de verdade, conecte-se com eles, olho no olho. Eles nos dizem muito com as palavras, mas também com os seus olhares, sua postura e seus pequenos gestos.

 

OIN – A partir de que idade pode se aplicar a Disciplina Positiva?

BERNADETTE –Desde bebê. Dá para aprender e aplicar a Disciplina Positiva em qualquer fase. Um dos princípios é que todas as crianças querem se sentir importantes, pertencentes e aceitas. Elas precisam perceber que em casa (e na escola) elas têm voz, opinião e as regras são combinadas e não impostas. Por exemplo, na prevenção da obesidade infantil não adianta os pais dizerem à criança que ela precisa se alimentar de forma saudável, se eles não dão o exemplo, compram alimentos prejudiciais e não se cuidam. É essencial se colocar no lugar das crianças. Na abordagem da Disciplina Positiva, se você (pais e responsáveis) tem de proibir ou restringir um determinado alimento porque ele faz mal, procure agir de forma respeitosa. Ofereça alternativas, peça sugestões à criança, converse sobre nutrição saudável, sobre descascar mais e desembalar menos; envolva os seus filhos nas compras na feira e no supermercado, na elaboração dos cardápios e no preparo dos pratos, com segurança. É possível dizer não às crianças e aos adolescentes de forma respeitosa e gentil para todas as situações e não apenas no que diz respeito à alimentação. Valide os sentimentos deles dizendo: “Eu imagino como você está se sentindo…”. Pergunte mais em vez de se impor: “Como podemos resolver isso? Você tem alguma sugestão?” ou “Como posso te ajudar?”. E, sempre que necessário, reafirme seu amor: “Eu te amo e sei que conseguiremos achar uma solução para essa questão juntos”.

Quer aprender mais sobre a Disciplina Positiva? Assista aos vídeos no link: <https://www.beteprodrigues.com.br/blog-da-bete> ou <www.beteprodrigues.com.br>, <https://www.facebook.com/DisciplinaPositivaBrasil>.