Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 41 milhões de crianças menores de 5 anos estão obesas ou acima do peso no mundo. Um dos problemas decorrentes dessa epidemia global é o aumento do número de meninos e meninas com doenças na coluna e outros problemas ortopédicos, com necessidade de tratamentos antes só indicados em adultos a partir da meia-idade. Essa situação é tão grave que, em muitos casos, crianças e adolescentes precisam de próteses de quadril e joelho, conforme dados do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. Para saber mais sobre o assunto, conversamos com a pediatra Isabel Rey Madeira, presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ). Acompanhe a entrevista:

 OIN – Quais são as queixas ortopédicas comuns na criança com sobrepeso?

ISABEL REY MADEIRA – São doenças na coluna e elas causam não apenas dores nas costas, mas de cabeça. Também vemos problemas no quadril, acompanhado de dores nas pernas; deslizamento de cabeça do fêmur, que também tem fatores genéticos; o genu valgo, conhecido como “perna em tesoura”, e o genu varo, quando os joelhos não se tocam ao se juntar as pernas. O “pé chato” também é encontrado com maior frequência nas crianças obesas.

OIN – Quais são os sinais de doenças na coluna?

ISABEL - Na coluna, temos os desvios, escoliose (para o lado), lordose (curva acentuada aberta para trás) e cifose (curva acentuada aberta para a frente). No deslizamento da cabeça do fêmur ocorre rigidez do quadril, dor que se irradia pela parte interna da coxa para o joelho, causando limitação dos movimentos e marcha anormal.

OIN – Como prevenir?

ISABEL – Prevenindo a obesidade. E isso inclui o aleitamento materno nos primeiros meses. Incentivo à criança a manter hábitos saudáveis, prática de atividade física e alimentação balanceada. O uso de tela (computador, celular etc.) é contraindicado para as crianças nos dois primeiros anos de vida e deve ser limitado à, no máximo, uma hora ao dia na idade pré-escolar. No escolar, o tempo de tela para o lazer deve ser limitado a, no máximo, duas horas por dia. Ao se sentar para estudar ou outra atividade, a criança deve usar uma cadeira adequada e manter a postura correta, com apoio para a coluna, os punhos e os pés. A criança deve calçar sapatos seguros e confortáveis, apropriados para a sua idade. Nada de saltos altos, nem tampouco para os adolescentes. A atividade física deve ser acompanhada por um profissional de educação física ou de fisioterapia que tenha experiência com criança. O colchão e o travesseiro também devem ser apropriados à idade. E, é claro, frequentar o pediatra periodicamente.