Estudo recente mostra que a obesidade infantil pode desencadear o diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes, doença que antes era diagnosticada apenas em adultos a partir da meia idade e associada ao excesso de peso e à vida sedentária. Aprenda como proteger seus filhos dessa enfermidade.

 

De acordo com uma nova pesquisa realizada no Reino Unido, crianças e adolescentes obesos têm quatro vezes mais probabilidade do que crianças com peso normal de desenvolver o diabetes tipo 2, ainda por volta dos 25 anos. “À medida que a prevalência de obesidade e sobrepeso vem aumentando rapidamente no mundo, um número cada vez maior de crianças e adultos jovens tem sido diagnosticados com diabetes”, declara o cientista Ali Abbasi, do King’s College em Londres e coautor do estudo, publicado na revista científica “Journal of the Endocrine Society”.

O diabetes é uma doença crônica, na qual os níveis de glicose (açúcar) no sangue estão altos. E isso ocorre quando o pâncreas não produz insulina ou não consegue usar esse hormônio de forma adequada. Ele é essencial para que o organismo possa aproveitar a glicose (que obtemos na alimentação) como fonte de energia para as células. O tipo 1 corresponde de 5% a 10% dos casos, é mais comum na infância e se manifesta quando o sistema imunológico ataca, por engano, as células do corpo que produzem a insulina. Já o tipo 2 pode ser prevenido, com medidas simples, com manutenção de um estilo de vida saudável e o peso ideal, com alimentação balanceada e prática regular de atividade física.

“A causa exata do diabetes tipo 2 ainda não foi esclarecida, porém sabe-se que há associação com fatores genéticos e inflamatórios. Ele aparece quando o organismo não responde de forma adequada à quantidade de insulina produzida (a chamada resistência à insulina) ou quando há perda da secreção de insulina. Essa doença acontece frequentemente em pessoas que estão acima do peso, que têm história de familiares com diabetes tipo 2 e naquelas que sofrem de pressão alta e têm níveis elevados de lipídios (gorduras) no sangue”, explica a endocrinologista pediátrica Cristine Beltrão.

Portanto, para prevenir o diabetes tipo 2 na infância e na adolescência é preciso evitar o excesso de peso. Em crianças obesas, Cristine afirma que o mais importante é a adoção de hábitos mais saudáveis, com orientação do pediatra. ”Fazer alimentação variada, equilibrada e fracionada, além de praticar atividade física no mínimo três vezes por semana, devem fazer parte do dia a dia das crianças e dos adolescentes”.

 

Fique atento aos principais sintomas do diabetes:

– “Os sintomas dependem do tipo de diabetes”, esclarece Cristine. Em geral, há aumento da frequência e da quantidade urinária, aumento da sede e da fome. Todavia, no diabetes tipo 1, que é mais comum em criança, geralmente há perda de peso e, no tipo 2, que é mais comum em adultos, ganho de peso ou associação com a obesidade. Além disso, no diabetes tipo 2, os sintomas podem ser mais leves e demorar anos até que seja feito o diagnóstico. 

– O adolescente com diabetes tipo 2, em geral, encontra-se cronicamente acima do peso, tem história familiar de diabetes, pode ter alguma doença associada, como hipertensão, alteração nos níveis de colesterol ou síndrome de ovários policísticos. Inicialmente, ele vai apresentar as chamadas “polis”: poliúria (aumento de volume urinário), polidipsia (aumento da sede) e polifagia (aumento do apetite).

 

De que forma é feito o diagnóstico:

– O exame mais indicado para o diagnóstico é a medida da glicose no sangue (glicemia). Uma glicemia após 8 horas de jejum com valor maior ou igual a 126mg/dl aponta diagnóstico de diabetes; contudo, deve ser confirmada com outro teste. Outros exames também podem auxiliar no diagnóstico, como a hemoglobina glicada, o teste oral de tolerância à glicose, e a glicemia fora de jejum, especialmente quando há outros sintomas. O tratamento atual de adolescentes com diabetes tipo 2 compreende o tripé: alimentação saudável, atividade física e uso de medicamento. Preferencialmente, o paciente deve seguir as orientações do endocrinologista, nutricionista e do profissional de educação física.