O Brasil tem um motivo a mais para celebrar este ano o Dia Mundial da Obesidade, em 11 de outubro: o Ministério da Saúde (MS) deu início ao processo de elaboração do primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento, na rede pública, de casos de sobrepeso e obesidade, doenças graves que vêm afetando um número cada vez maior de brasileiros. Com base nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009 do IBGE), o peso dos brasileiros vem aumentando nos últimos anos. Em 2009, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O primeiro passo foi a abertura de uma enquete pública no portal do Ministério da Saúde para o recebimento de sugestões e contribuições iniciais de representantes da sociedade civil, endocrinologistas, nutrólogos e outros profissionais da saúde, etapa encerrada em setembro. Depois de formulado, o documento será submetido à nova consulta pública para deliberação final.

O objetivo do PCDT é reunir recomendações para assistência à saúde de adultos com sobrepeso e obesidade na atenção básica e especializada no Sistema Único de Saúde (SUS), resultando no aprimoramento e qualificação do atendimento e da conduta terapêutica na rede. A adoção do protocolo deve garantir mais segurança e efetividade clínica e científica aos profissionais de saúde e contribuir para a prevenção e o controle de doenças no país.

Em entrevista ao portal do MS, Michele Lessa, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, afirmou que “o documento ajudará a pasta na implementação efetiva das políticas públicas para o controle do sobrepeso e da obesidade, a partir de atendimentos qualificados, recomendações adequadas e uma conduta terapêutica assertiva”.

Informações da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que a obesidade e o sobrepeso quase triplicaram no mundo desde 1975. Em 2016, mais de 1,9 bilhão de adultos, com 18 anos ou mais, apresentavam excesso de peso. Destes, mais de 650 milhões eram obesos.

De acordo com a assessoria de imprensa do MS, o Brasil assumiu, no âmbito da Década de Nutrição da ONU, o compromisso de deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; de reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019 e de ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, disponível no site: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>.

A publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados.

 

 

Sugestão de box ou quadro para infografia ou ilustração:

Quadro da obesidade no Brasil*

  • Em 2008, o excesso de peso atingia 33,5% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, sendo que 16,6% do total de meninos também eram obesos; entre as meninas, a obesidade apareceu em 11,8%. O excesso de peso foi maior na área urbana do que na rural: 37,5% e 23,9% para meninos e 33,9% e 24,6% para meninas, respectivamente.
  • A parcela dos meninos e rapazes entre 10 e 19 anos com excesso de peso passou de 3,7% (1974-1975) para 21,7% (2008-2009); já entre as meninas e moças, o crescimento do excesso de peso foi de 7,6% para 19,4%.
  • Também o excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1% e ultrapassou, em 2008-2009, o das mulheres, que foi de 28,7% para 48%.
  • O excesso de peso foi mais evidente nos homens com maior rendimento (61,8%) e variou pouco para as mulheres (45-49%) em todas as faixas de renda.

     ●    A cada 5 brasileiros, 1 está obeso (18,9% do total).

     ●    Mais da metade da população das capitais (54%) registra excesso de peso.

     ●    O número de jovens com obesidade na faixa etária entre 18 e 24 anos aumentou 110% em dez anos. Na faixa de 25 a 34 anos, o aumento foi de 69%.

     ●    O crescimento do número de jovens entre 18 e 24 anos com excesso de peso, no mesmo período, foi de 56%. Já a população entre 25 e 34 anos, a alta foi de 33%.

 

Fontes: Dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2017, do Ministério da Saúde, que entrevistou mais de 53.000 pessoas, a partir de 18 anos, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal sobre diversos temas relacionados à saúde. E Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009, do IBGE).