Obesidade leva ao aco de gordura no o e aumenta a chance de problemas graves

Pressão alta, diabetes, aterosclerose, problemas articulares e psicossociais. A literatura médica é farta em estudos que relacionam a obesidade a essas doenças. Recentemente, porém, a ciência vem lançando luz sobre um outro problema, quase sempre silencioso: a esteatose hepática, definida em linhas gerais pelo aco de gordura no fígado. Estudos demonstram que a incidência e a prevalência de excesso de gordura no fígado vêm aumentando inclusive entre crianças. E o principal fator de risco é o excesso de peso. Pesquisas internacionais apontam que de 3% a 10% da população infantil têm esteatose hepática. Esse percentual sobe para de 15% a 77% nas crianças obesas.

Segundo a gastroenterologista pediátrica Marise Elia de Marsillac, chefe do setor dessa especialidade do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, na maior parte dos casos, a esteatose pode evoluir de forma benigna, sem causar danos graves ao fígado das crianças. Num percentual reduzido, porém, a gordura pode provocar inflamação no o, configurando um quadro mais avançado de doença hepática gordurosa não alcoa (DHGNA), o que pode, na idade adulta, levar à cirrose e, em casos extremos, à necessidade de transplante. O problema atinge mais meninos com excesso de peso, resistência insulínica (dificuldade de o horm insulina cumprir suas funções, como favorecer a entrada de glicose nas células) e triglicerídeos altos.

"Os estudos vêm sendo realizados nas mas três décadas. Mas o que é mais importante é que a presença de gordura no fígado aumenta a chance de se ter a doença. Por isso, manter uma alimentação adequada e a prática regular de exercícios físicos é fundamental", enfatiza ela, que estudou a prevalência da esteatose hepática em crianças do Rio de Janeiro em sua tese de doutorado, defendida na UFRJ. "Observamos crianças, de 5 a 14 anos, com excesso de peso que passavam pela consulta de rotina em ambulat de pediatria: 26% delas apresentaram aco de gordura no fígado. O no é alto, e a pergunta que se coloca é: quantas dessas crianças obesas terão DHGNA?"

O diagnco de suspeição é feito a partir de ultrassonografia e exames de sangue. A médica, que é também professora de Pediatria na Uerj e na Escola de Medicina Souza Marques, pondera que o crescimento no no de casos está associado, além de à maior prevalência da obesidade, aos avanços tecnolos que aumentaram a sensibilidade dos exames de imagem para a detecção da gordura nos os e ao interesse da comunidade médico-científica em investigar a questão. A especialista destaca que os pediatras devem solicitar os exames, profilaticamente, às crianças com excesso de peso que, mesmo apeis meses de acompanhamento, continuem com ganho ponderal:

"O tratamento inicial é a perda de peso. Quem consegue emagrecer pode ficar livre do problema. A prevenção da obesidade, especialmente na infância, resulta na prevenção dessa e de outras doenças."