A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 72 milhões de crianças menores de cinco anos estejam com excesso de peso no mundo em 2025. Na América Latina, uma em cada cinco pessoas com menos de 20 anos já apresenta sobrepeso ou obesidade, doença que traz outros sérios problemas de saúde. A revista “Evidências em Obesidade e Síndrome Metabólica”, da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), revelou o que pesquisadores têm descoberto a respeito da obesidade e quais são as recomendações para lidar com a questão.

Influência genética – Segundo o endocrinologista Mario Kedhi Carra, da ABESO, embora ainda estejam “engatinhando”, estudos genéticos têm trazido novas informações sobre o assunto. “Cada pessoa nasce com um grupo de genes que, ao sofrerem influências do meio exterior, podem mudar a forma de funcionar. E o tipo de alimentação e o estilo de vida do indivíduo influenciam nisso”, explica. Pesquisas indicam também que 60% a 80% das variações de composição corporal podem ser atribuídas a fatores genéticos e que mais de 300 genes estão potencialmente envolvidos na regulação de peso das pessoas. Porém, a maioria da população engorda por hábitos equivocados, não por fatores genéticos.

Infância é decisiva – Sabe-se que uma criança acima do peso está muito mais propícia a ter sobrepeso ou obesidade na vida adulta. E, apesar dos recentes estudos sobre a influência dos fatores genéticos na obesidade, a adoção de hábitos saudáveis ainda é o mais importante aliado. “Mesmo que a pesquisa genética nos mostre um novo cenário, não existe mecanismo, medicação contra a obesidade para ser usada em crianças. Então, a melhor estratégia é mudança comportamental”, afirma Carra, que defende o controle do consumo de calorias consumidas pelas crianças e a disseminação de informação na escola e na mídia.

Pré-natal contra a obesidade – As consultas do pré-natal são essenciais na orientação à gestante e na prevenção da obesidade infantil. Bebês que nascem com baixo peso, por exemplo, e apresentam recuperação rápida têm maior risco de ter excesso de peso, doenças metabólicas (como obesidade e diabetes) e cardiovasculares na fase adulta. E o aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) materno além do normal e a ocorrência de diabetes gestacional também elevam o risco de obesidade na criança. Portanto, não deixe de fazer o pré-natal.

Leite materno é fundamental – Uma pesquisa recente comprovou que crianças que foram amamentadas têm 22% menos chance de serem obesas, quando comparadas às crianças que receberam fórmulas infantis após o terceiro mês de vida.

Primeiros 18 meses são importantes – Um aumento de IMC nesse período está associado à formação de gordura subcutânea (sob a pele) e à obesidade entre os três e quatro anos de idade. Além disso, quanto mais rapidamente for o ganho de peso nos primeiros anos, maior é o risco de obesidade depois.

Alimentação complementar – Oferecer alimentos além do leite materno antes de quatro meses de idade pode gerar ganho excessivo de peso nos primeiros anos.

Entenda a saciedade do seu filho – Por não conseguirem saber quando a criança está satisfeita ou com fome, os pais contribuem para a superalimentação infantil. Converse com o pediatra sobre o assunto.

O sono e o peso – Estudos mostram que há uma relação direta entre noites mal dormidas com falta de sono reparador e obesidade em crianças em idade pré-escolar. Crianças que dormem mal podem apresentar maior IMC e chance de sobrepeso logo nos primeiros anos.

Refeições em família – Nas famílias que fazem as refeições juntas, o risco de obesidade é menor entre as crianças. O cruzamento entre 17 estudos constatou que a probabilidade de sobrepeso é 12% menor entre as famílias que se reúnem mais de três vezes na semana na hora de se alimentar.