Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças brasileiras hoje está acima do peso adequado, resultado, principalmente, do estilo de vida pouco saudável. Com o propósito de conter o avanço da epidemia de obesidade, o governo assumiu novas metas no “Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil”, em Brasília; em apoio à resolução “Década de Ação sobre Nutrição (2016-2025)”, da ONU. Recentemente, os Estados Unidos também lançaram novas diretrizes para a prevenção e o tratamento da obesidade infantil. Fique por dentro do que é atual no combate à doença.

 

As metas do Brasil: deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas Intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em, no mínimo, 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019. O Brasil já aprovou uma lei que proíbe a publicidade de substitutos do leite materno e regula a publicidade de outros alimentos voltados para mães e crianças de até dois anos.

Incentivo à reeducação alimentar: para o Ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, “é preciso ensinar a população de novo a descascar mais e desembalar menos. É necessário que as crianças na escola sejam ensinadas a manusear os alimentos”. Para Eve Crowley, adjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) na América Latina e no Caribe, “é preciso recuperar a cultura culinária e juntar a boa alimentação com atividades físicas”.

Maior atenção aos rótulos: a Organização Pan-americana de Saúde tem ajudado os países a identificarem bebidas e alimentos com excesso de açúcares, sal, gorduras totais, gorduras saturadas e trans e outras substâncias prejudiciais à saúde. Assim fica mais fácil os governos desenvolverem estratégias de prevenção à obesidade. Atualmente 7,2% das crianças menores de cinco anos estão com sobrepeso na América Latina e no Caribe, o que representa um total de 3,9 milhões de crianças (2,5 milhões vivem na América do Sul).

Estimulo às boas práticas: a OMS tem incentivado as boas práticas, como, por exemplo, uso de rótulos de alerta na parte frontal das embalagens; restrição à comercialização de alimentos e bebidas pouco saudáveis para as crianças; regulação de alimentos e bebidas vendidos nas escolas; definição de políticas fiscais para limitar o consumo de alimentos não saudáveis; identificação de alimentos a serem fornecidos por programas sociais para grupos vulneráveis e subsídios para reduzir preços de frutas frescas e vegetais.

Menos processados à mesa: de acordo com a Opas/OMS, a base da alimentação deve ser feita de alimentos in natura e minimamente processados. Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais sem que tenham sofrido qualquer alteração, como vegetais, ovos e leite. Os minimamente processados são alimentos in natura que passaram por poucas alterações, como grãos secos polidos ou moídos na forma de farinhas, cortes de carne resfriados ou congelados e leite pasteurizado. Os processados, como queijo, pães, geleias e frutas em calda, fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário como óleo, devem ser consumidos em pequenas quantidades. E a OMS recomenda evitar os refrigerantes e os ultraprocessados (como biscoitos, sorvetes, salgadinhos e comidas instantâneas), que favorecem o ganho de peso e outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. 

Consultas ao pediatra: a Sociedade de Endocrinologia Pediátrica americana orienta que os médicos avaliem rotineiramente crianças e adolescentes ao atingirem um IMC igual ou acima do percentil 85 em busca de doenças associadas à obesidade, como pré-diabetes ou diabetes, acúmulo de gorduras, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas (aterosclerose) e hipertensão. Para as causas genéticas de obesidade infantil, os exames específicos devem ser limitados a crianças com obesidade precoce, história familiar de obesidade extrema, ou um apetite fora do normal.

Envolvimento de toda família: os médicos americanos reforçam que a estratégia de prevenção e o tratamento da obesidade devem direcionar não apenas à criança ou ao adolescente, “mas a toda família, e levar em conta o contexto educacional e social em que vivem”. E afirmam que “os pacientes devem ser desencorajados a beliscar constantemente, especialmente após a escola e o jantar; e os pais devem ser incentivados a planejar refeições regulares”. E lembram que “crianças e adolescentes precisam realizar um mínimo de 20 minutos por dia – idealmente 60 minutos – de atividade física moderada a vigorosa, pelo menos cinco dias por semana”. É fundamental também ter um sono reparador, orientam os pediatras. E reafirmam que “os pais devem ser encorajados a limitar o tempo dos filhos diante de uma tela (fora das tarefas escolares) a não mais de duas horas ao dia”.

Ajuda do psicólogo: a obesidade infantil causa impacto psicológico nas crianças e pode afetar à saúde delas para o resto de suas vidas. Os pediatras americanos recomendam que “crianças e adolescentes sejam avaliados quanto à presença de problemas psicossociais, caso suspeitem de que tais questões estejam ocorrendo”. E ainda: “Os profissionais de saúde também devem abordar a dinâmica familiar e tentar diagnosticar qualquer padrão de criação inadequado que possa contribuir para a obesidade de uma criança”.

Cirurgia como última opção: se a cirurgia para tratamento da obesidade for a única opção, segundo critérios médicos, ela só deve ser realizada “em pacientes bem avaliados, com a puberdade completa, e com doenças graves relacionadas à obesidade”.

 

Fontes: Ministério da Saúde do Brasil, Sociedade Europeia de Endocrinologia e Sociedade de Endocrinologia Pediátrica dos Estados Unidos.