Excesso de peso favorece o aparecimento de diferentes tipos de tumores

A associação entre obesidade e doenças cardiovasculares já está mais do que comprovada. Agora, pesquisadores se dedicam a estudar a relação entre excesso de peso e câncer. Um levantamento, realizado por pesquisadores da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, constatou que a obesidade está relacionada a novos casos da doença a cada ano em todo o mundo.

Publicado na revista "The Lancet Oncology", o trabalho reuniu dados de 184 países e observou que cerca de 345 mil novos casos de câncer entre mulheres e 136 mil entre homens tinham relação com  o excesso de peso. Esses nos representam, respectivamente, 5,4% e 1,9% do total de novos casos em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, porém, os percentuais chegam a 8% (mulheres) e 3% (homens). Em países em desenvolvimento, as taxas são menores: 1,5% e 0,3%. Os Estados Unidos são o país em que a carga é mais intensa: quase um quarto (23%) dos cânceres associados à obesidade foi registrado ali.

Membro do grupo de trabalho para erradicação da obesidade infantil da Organização Mundial da saude (OMS), o nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca) Fábio Gomes explica que estudos de cálculo de fração atribuível como este são importantes para que seja identificado o peso de determinados fatores de risco nas populações.

"O trabalho expressa o quanto o câncer pode ser reduzido se a obesidade for controlada. Como o excesso de peso nos Estados Unidos é maior do que em outros países, se eles reduzirem as taxas de obesidade, haverá uma queda no no de novos casos bem mais expressiva do que, por exemplo, na França, na Itália, no Brasil ou no Peru", explica o especialista, que atualmente integra um conglomerado de pesquisadores nacionais e internacionais que estão fazendo levantamento semelhante, considerando, além da obesidade, outros fatores de risco para o câncer, como o tabagismo.

Segundo Gomes, a obesidade é um dos fatores de risco associados à maior variedade de tipos de câncer.  Está relacionada, entre outros, com tumores de mama, intestino, eso, pâncreas, rins e vesícula. Mais recentemente, estuda-se o impacto nos cânceres sanguíneos e linfáticos.

A obesidade tem efeitos sistêmicos, ou seja, atinge o organismo como um todo. Isso ocorre, basicamente, por dois mecanismos biolos. O excesso de gordura nas células provoca a liberação de substâncias inflamats que estimulam a multiplicação celular desordenada e evitam a morte celular. "Outro fator está ligado à produção hormonal do obeso, que também é capaz de causar defeitos no material genético das células", afirma Gomes, explicando que o fato de as mulheres serem mais suscetíveis ao aco de gordura por razfisiolas também as torna, como registra o estudo, mais vulneráveis aos cânceres.

Para mudar esse quadro, o nutricionista alerta para a importância de políticas pcas com foco na diminuição da obesidade, nos moldes daquelas adotadas contra o tabaco:

"Precisamos de ações que reduzam o consumo de produtos obesogênicos, como os de alta densidade energética (biscoitos, guloseimas e outros alimentos ultraprocessados) e bebidas açucaradas. Isso passa por medidas legislativas que regulem preços, rotulagem e acesso a esse tipo de produto. Além disso, há questculturais que precisam ser levadas em conta."

Ele lembra que a amamentação é uma das primeiras formas de se evitar a obesidade. Exclusiva até os 6 meses de idade, ela reduz as chances de o bebê desenvolver obesidade já na infância. "Isso é fundamental, porque crianças com excesso de peso tendem a se tornar obesas na idade adulta e, com isso, têm um risco maior de desenvolver câncer. Quanto mais cedo e maior for o tempo em que a criança permanecer obesa durante a infância, maiores serão suas dificuldades de controlar o peso quando adulta".