Há dois anos ou quatro temporadas, ela atende famílias angustiadas. Autora do livro que deu origem ao programa "Socorro, meu filho come mal",  do GNT, a nutricionista Gabriela Kapim tornou-se uma referência para quem busca estratégias para fazer uma criança se alimentar de maneira adequada. Um dos motivos para causar tanta empatia é que Kapim, como é chamada pelos seus pacientes e telespectadores, é gente como a gente. Aos 36 anos, ela é mãe de Sofia, de 9 anos, e de Antonio, de 7, que são fãs de comida japonesa e recentemente experimentaram (e curtiram) acarajé. Um almoço na sua casa começa com salada e pode incluir arroz, feijão e frango com quiabo ou estrogonofe de carne com bris e chips de batata-baroa assados no forno. Nesta entrevista, ela fala sobre bons hábitos à mesa.

PORTAL SAÚDE 360: No livro e no programa, você deixa claro que o envolvimento da família é fundamental para a formação dos hábitos alimentares. Como garantir essa formação com tantas configurações familiares diferentes?

GABRIELA KAPIM: Cada pai e cada mãe vão trabalhar com o valor que dão aos alimentos. As crianças entendem e se adaptam às las de uma casa e de outra. O importante é que os pais tenham discernimento e procurem passar mensagens em comum sobre a alimentação. Há pais que moram juntos e mandam mensagens diferentes para as crianças. Isso é pior. As crianças reagem a comportamentos muito distintos.

PORTAL SAÚDE 360: O ditado popular diz que os pais educam, e os aveseducam. Na sua opinião, avjudam ou atrapalham na educação alimentar?

GABRIELA: Há os dois lados. Avue convivem mais intensamente com as crianças, essas não podem estragar. Têm que ter cumplicidade com os pais. Essa ave participa da educação tem que ser parceira e saber que está na vez de a filha ou de o filho ser pai. Agora, não vale julgar aquela ave não participa da educação no dia a dia, que vê os netos esporadicamente.

PORTAL SAÚDE 360: Para as crianças que têm dificuldade em comer de modo saudável, optar pela alimentação na escola pode ser uma estratégia eficaz?

GABRIELA: Pode ser uma estratégia, mas não uma solução. A criança não pode ser matriculada no período integral porque não come em casa. A responsabilidade pela alimentação não pode ser da escola. Ela pode até ajudar, mas a escola não vai ensinar a se comportar à mesa, por exemplo. E, se a criança come na escola e não come em casa, tem de haver uma avaliação comportamental para entender o que está acontecendo nessa família.

PORTAL SAÚDE 360: Quando uma criança apresenta problemas em comer, o que a família é capaz de resolver por conta pra? Quando é hora de procurar ajuda especializada?

GABRIELA: Quando a criança rejeita um alimento, e isso se repete uma, duas, três vezes, é hora de procurar ajuda. Não é bom esperar. No consult, ouço muito isso: há um ano, meu filho comia de tudo. Ora, por que esperou tanto tempo para resolver esse problema? Quanto mais rápida a intervenção, mais fácil reverter a situação.

PORTAL SAÚDE 360: Algum caso retratado no programa a marcou especialmente?

GABRIELA: Com certeza. Teve o caso de uma criança que smava mamadeira aos 6 anos; um pai que se alimentava à base de refrigerante; e um menino que comia apenas arroz e ovo. Eu mantenho contato com eles. Há altos e baixos, mas de uma forma geral a maioria conseguiu manter uma alimentação melhor.

PORTAL SAÚDE 360: Você enfatiza a importância de se experimentar alimentos diferentes. O que seus filhos gostam de comer?

GABRIELA: Eu acho legal experimentar, ir a restaurantes. Os dois adoram comida japonesa, comem tudo. Outro dia, eles provaram acarajé e curtiram.

PORTAL SAÚDE 360: O que não entra na sua despensa de jeito algum?

GABRIELA: Refrigerante, biscoito recheado, salgadinho e bala. Lá em casa não entram. Eles podem até, eventualmente, comer na rua, mas, lá em casa, não.

Os dez mandamentos da alimentação saudável, por Gabriela Kapim

Alimentação é, acima de tudo, um gesto de afeto e carinho

Alimentação consciente é uma questão de educação! Comer bem e de forma saudável se aprende em casa e desde cedo

Comida não é moeda de troca! Não pode haver negociação entre comida e brinquedo, passeio, festa...

O prato precisa ter cinco cores diferentes

Os pais são sempre o melhor exemplo para os filhos. Atenção ao que você come na frente do seu filho!

A hora da refeição deve ser um momento de reunir a família

Nada de televisão, tablet, videogame ou celular ligado durante as refeições

Para não gostar de um alimento, a criança precisa experimentar várias receitas! Às vezes, a forma de se preparar o alimento muda a aceitação da criança

Se a criança não estiver com fome, não precisa comer. Mas não pode comer outra coisa antes da refeição...

As regras são para todos os membros da família!

Fonte: Site do programa "Socorro, meu filho come mal", do GNT