A obesidade é um fator de risco para a asma. Conversamos com os pediatras Fábio Kuschnir, professor adjunto do Departamento de Pediatria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e responsável pelo Ambulatório de Alergia Pediátrica do HUPE-UERJ, e Hélio Rocha, chefe do Serviço de Nutrologia Pediátrica da UFRJ, para entender como prevenir ou atenuar a asma e seus sintomas em crianças com sobrepeso.

Qual é a relação entre obesidade infantil e asma?

Segundo o pediatra Fábio Kuschnir, a asma e a obesidade são duas doenças crônicas não transmissíveis, consideradas epidemias globais, e que tiveram um aumento relevante entre crianças e adolescentes nas duas últimas décadas. Estudos mostram que a obesidade, em geral, precede a asma e que o risco de ter asma cresce com a obesidade.

A redução de peso em pacientes obesos asmáticos alivia os sintomas e reduz a gravidade da doença respiratória. É importante comentar que o aleitamento materno é uma medida protetora tanto para a asma quanto para a obesidade. Fatores genéticos, do próprio organismo e ambientais, podem estar associados à coexistência de obesidade e asma. O desafio é entender como a obesidade influencia a asma e vice-versa.

O pediatra Hélio Rocha afirma que os obesos podem apresentar fome oculta, isto é, a carência não explícita de um ou mais micronutrientes no corpo, com alterações mínimas não perceptíveis no exame clínico. O problema é consequência da falta ou do pouco consumo de micronutrientes. Principalmente as vitaminas lipossolúveis costumam estar em níveis insuficientes nesses pacientes, devido à sua diluição na gordura. Em especial, as vitaminas D e A têm relação com a maior predisposição às crises e à cronificação da doença. Os obesos também costumam ter menores reservas de zinco e magnésio, outros micronutrientes com grande influência na gênese e no tratamento das crises de asma.

O excesso de peso na infância pode piorar ou desencadear a asma e a bronquite nas crianças?

Kuschnir explica que a obesidade pode afetar diretamente o funcionamento dos pulmões. Em obesos, o tecido gorduroso em excesso pressiona a caixa torácica, levando à maior frequência respiratória, e pode causar dificuldade de respirar.

Como diagnosticar e atenuar os sintomas da asma em crianças acima do peso?

 “É necessária uma investigação médica com ênfase na história clínica e familiar da criança, inclusive para detectar doenças alérgicas, como rinite, alergia alimentar e dermatite atópica”, diz Kuschnir. Também é preciso avaliar a função pulmonar e fazer outros exames, a critério do médico responsável. A Iniciativa Global contra a Asma, principal diretriz internacional sobre a doença, recomenda a perda de peso para os obesos asmáticos.