Tania Zagury (*) 

Alguns pais me procuram, ou mandam e-mail, dizendo que amam meus livros, mas que eles "não funcionam em suas casas onde só dando boas palmadas é que conseguem que os filhos obedeçam e comam direito! Sem entrar no mérito da questão "palmada", lembro que a desobediência e a teimosia frequentes costumam estar mais ligadas à insegurança dos paisno estabelecimento de regras, do que por características infantis. Diante de um ambiente confuso, em que as regras mudam a cada refeição, não é de estranhar que as crianças se tornem renitentes e desafiadoras. Se a situação se exacerba, pode realmente levar a um ataque de nervos, que é quando alguns perdem a cabeça e lançam mão da palmada. E, nem que seja pelo susto que causa, acaba aparentemente sendo mais eficiente do que outras medidas. Que ninguém se engane, porém! Só funciona por um tempo.... Portanto, se você deseja educar - e não assustar, saiba que os pais que de fato refletem e mudam de atitude, conseguem excelentes resultados. Os filhos mudam também e positivamente! Claro está que não será em um dia ou semana: o tempo de reformatação de hábitos costuma ser proporcional ao tanto que durou a incoerência. Mas as chances de sucesso são muito altas! Porém, se a cada pequena derrota (quer dizer, cada vez que os filhos insistirem ou tiverem um chilique), os pais cederem, tudo voltará à estaca zero!  Não são atitudes difíceis ou impossíveis de concretizar, de forma alguma! Só é preciso que se esteja realmente decidido a fazer! Há, no entanto, algumas ciladas que se comete porque coração é coração – e fica mole, mole, frente a uma carinha chorosa, mas que são perfeitamente evitáveis. É por isso, para que pais apaixonados não caiam nessas armadilhas, que concretizo, aqui, pequenos alertas que podem ajudar muito na formação de hábitos alimentares positivos:

• Não transforme sobremesa em prêmio: "se comer tudo, ganha chocolate"!  

  • • Não exija que a criança "raspe o prato"; adultos têm dias com e sem fome; por que a criança não os teria também?
  • • Se tem dúvidas sobre a porção ideal dos nutrientes de acordo com a idade dos filhos, recorra, sem hesitação, ao pediatra ou à nutricionista da família e siga as instruções recebidas;
  • • Se num determinado dia, seu filho não comer tudo e lhe disser que está satisfeito (tendo consumido em torno da metade da refeição oferecida), aceite; provavelmente é porque foi o suficiente naquele momento;
  • • Não o castigue se não comeu tudo: faça com que compreenda – na prática, sem fazer discurso – que ter comida no prato é bênção, não tormento;
  • • Se a criança comia bem e, de um dia para outro, apresenta inapetência repetida (por dois dias consecutivos, em todas as refeições – e sem beliscar nos intervalos) leve-a ao pediatra – logo!
  • • Não transforme a refeição em castigo: "só sai da mesa, quando acabar de comer tudo!" Ou "não vai ver seu desenho animado hoje, você não comeu tudo"! Você o estará ensinando a usar comida como massa de manobra.
  • • Não implore para que coma: "Só mais uma colherzinha, para mamãe ficar feliz!"
  • • Adote o lema: Quem tem fome come! E siga-o.

E seja feliz antes, durante e depois das refeições!

 (*) Filósofa, Mestre em Educação e Escritora, autora entre outros de "Educar sem Culpa"