Tania Zagury (*)

É raro, hoje em dia, um pai não ceder aos pedidos dos filhos para usar internet, ter um notebook para chamar de seu ou ganhar um celular – bem como todas as demais instigantes engenhocas da tecnologia moderna. E, cada vez mais cedo quem resistir poderá –, se até bebês de menos de ano já são usuários de tablets?!

Entendo que é difícil resistir, então vale tomar alguns cuidados, porque se o “perigo web” ronda adultos, o que dizer de crianças? Para começar, vou ressaltar um dos efeitos indesejados do uso imoderado da web: engorda! Isso mesmo que você leu: en-gor-da!!!! O uso diário e constante de computadores e internet é atividade sedentária, altamente motivadora e, por isso mesmo, muito viciante. Consequentemente, propicia sobrepeso e obesidade, em caso de uso excessivo. Quem não se sente tentado a acompanhar o joguinho eletrônico com um saco de salgadinhos, pipoca quentinha ou batatas fritas? Sem esquecer o refri.... Um perigo, gente! Então, fica combinado assim: para os menores de 7 anos, um período de meia hora/dia; os que estejam entre 8 e 13 anos, uma hora/dia, e olhe lá!  Nos fins de semana, pode-se alongar um pouco – o que deve significar, no máximo, 50% a mais. E só! O resto do tempo deve ser para correr, pular, conversar, e.... correr de novo! Ou defina você – de acordo com seus critérios. Mas defina! Porque eles ficam tão quietinhos, mas tão quietinhos, que, claro, corre-se o risco de "esquecer" que tem criança em casa de tanto sossego que dá! Mas não se deixe seduzir! Quando se vai ver, passaram-se três, quatro, e lá estão eles, ainda na telinha jogando! E sabe-se lá com quem!!! Comportadíssimos como nunca – que tentação não interferir! Mas... ter filhos é ter trabalho. Então, fique atento! Se seus meninos estão muito, mas muito sumidos, angelicais, quietos e sem dar trabalho há mais de meia hora... des-con-fie!  Alguma coisa pode estar errada!

A seguir, algumas regras que devem ser condição de uso. Elaborei segundo orientação da Microsoft.  Não suprimem supervisão constante, porque burlar regras é comum nos jovens. Marque presença desde o começo, ou seja, habituem-nas a usarem a internet com você. Assim, conversar com os pais se torna hábito. Ensine-os a confiar nos próprios instintos: Explique que, caso se sintam intranquilos em uma situação online, devem desligar o computador de imediato. Deixe claro que não precisam ser motivos concretos, um leve mal-estar é suficiente para desligarem e se aconselharem com você! Se achar que já podem usar salas de bate-papo, programas de mensagens instantâneas, jogos online ou outras atividades que exijam identificação (login) ajude-os na escolha, ressaltando com especial ênfase que não podem e não devem revelar nenhuma informação sobre si, a família ou amigos. Antes de permitir que fiquem on-line lembre-se de que já há legislação a respeito, bem como idade mínima para cada ferramenta. Então, por que permitir antes? Insista para que nunca deem endereço, telefone e informações como colégio, locais que frequentam etc. Para segurança de todos, reitere várias vezes claramente que o que é certo e errado na vida real vale para a virtual também. Em geral, isso nem passa pela cabeça deles!  

(*) Filósofa, Escritora, autora de Os Direitos dos Pais, entre outros.

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