Alimentação saudável e balanceada será, a partir do próximo ano, ensinada nas escolas aos estudantes dos ensinos fundamental e médio. A novidade é resultante da entrada em vigor da Lei nº 13.666/2018, sancionada pelo presidente Michel Temer, em maio de 2018, mediante alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

A nova norma foi proposta pelo deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), com o objetivo de assegurar o fornecimento de informações sobre alimentação saudável para crianças e adolescentes e reduzir os índices de obesidade infantil. Pedimos a pediatra Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e professora Associada da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, para avaliar o impacto dessa medida.

 

OIN – Quais os principais impactos da inserção do tema educação alimentar e nutricional nos currículos escolares sobre a saúde de crianças e adolescentes? 

VIRGÍNIA WEFFORT – Aprender o que é saudável terá um impacto positivo na prevenção da obesidade e de deficiências de micronutrientes, como a prevenção da anemia ferropriva (escassez de ferro no sangue), a deficiência de cálcio, entre outras, o que geralmente ocorre pela falta de consumo de alimentos que são fontes destes minerais.

 

OIN – De que forma o aprendizado relacionado à educação alimentar poderá contribuir de forma efetiva para a redução da obesidade infantojuvenil no país? 

VIRGÍNIA – A valorização do que é saudável deveria começar em casa. Como atualmente todos comem de modo errado, crianças e jovens aprenderão na escola a conhecer os alimentos e a comer de forma adequada, privilegiando o consumo de alimentos saudáveis (como grãos, verduras e legumes), em detrimento dos produtos industrializados.

 

OIN – Que outros benefícios podem ser esperados desse novo aprendizado? 

VIRGÍNIA – O aprendizado na escola pode mudar os hábitos de toda família. Hábitos saudáveis à mesa, com todos comendo de forma correta, previnem o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, entre elas, a obesidade, o diabetes e os problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (derrame).

 

Conheça o “Guia alimentar para a população brasileira” do Ministério da Saúde, disponível no site: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>.