Tania Zagury (*)

Você sabia que seu filho adolescente precisa de cerca de 9h de sono por noite? Não? Foi o que pensei.... E que nessa fase do desenvolvimento o sono chega mais tarde, em torno das 22h ou 23 horas? Isso explica (em parte!) por que tantos jovens apresentam certa queda no rendimento escolar lá pela 6ª série. Tendo aulas cedo no dia seguinte e dormindo todos os dias tarde, acabam tendo um déficit de sono, que diminui a concentração e a capacidade de assimilar o que os professores propõem ou explicam. Consequentemente, o rendimento e a aprendizagem podem ficar comprometidos. E é exatamente nesse momento da vida escolar que os conteúdos vão se tornando mais e mais complexos – o que aumenta a probabilidade de queda no desempenho. Ou seja, há uma tendência natural, nessa faixa etária, a dormir e acordar mais tarde, o que cria um descompasso em relação à escola, que aqui, em geral, começa por volta das 7h30. Significa dizer que semanalmente nossos jovens podem chegar a ter um déficit de dez a doze horas de sono, aproximadamente. A tendência é tentar dormir mais nos finais de semana para reequilibrar o organismo - o que não funciona para sanar os problemas que o déficit causa, como já foi comprovado. Há outros agravantes: as luzes dos aparelhos eletrônicos (celulares, computadores), por exemplo, que permanecem ligadas sempre, também diminuem a qualidade do sono, assim como ficar jogando os tão atraentes jogos eletrônicos antes de deitar. Me parece, porém, que o maior desafio atualmente é conseguir que os filhos se recolham até no máximo às 22h nos dias de semana, o que garantiria a eles as oito de sono horas recomendáveis. Ciente dessa guerrinha cansativa, trago aqui alguns ótimos instrumentos de convencimento para atenuar a batalha: 1º) Dormir pouco altera a produção de alguns hormônios: a leptina – produzida principalmente à noite - que é quem informa ao cérebro quando precisamos comer; e a grelina - outro hormônio, que age em conjunto com a leptina -, que estimula o apetite e nos mantém alertas (capacidade de ficar acordado). 2º) Quem dorme menos do que precisa tem grande chance de engordar - devido às alterações na secreção desses hormônios. Dá para dizer que "dormir pouco engorda"! Sem contar que quem fica acordado até tarde costuma fazer um lanchinho extra de madrugada. O pior é que estudos demonstram que nessa hora da noite as pessoas tendem a preferir alimentos muito calóricos e pouco nutritivos (balas, bombons, bolos!). 3º) Há ainda o hormônio do crescimento (GH), que é secretado justamente quando estamos dormindo. Uau! Se você estava sem recursos para convencer os filhos sobre a essencial necessidade orgânica de sono, use e abuse desses três! Afinal, o que a insegurança dos jovens na adolescência os leva a desejar mais é ficarem altos, sem espinhas e atraentes - sejam meninos ou meninas! Então como não se encantar com tais argumentos? Emagrece, faz crescer, e, de quebra, melhora o boletim também! Sem contraindicações...

(*) Filósofa, mestre em Educação, escritora, autora, entre outros, de "Limites sem Trauma, construindo cidadãos".