Atividades físicas são altamente recomendadas para todas as faixas etárias, da infância à idade adulta. Mas um menino de 8 anos não pode fazer o mesmo esforço que outro de 14. Mesmo crianças com a mesma idade cronológica podem ter padrões de desenvolvimento diferentes, que devem ser respeitados. Ultrapassar os limites suportáveis para crianças e adolescentes significa correr o risco de lesões físicas e psicológicas que podem afastá-los do saudável hábito de se exercitar.

 Orientações para evitar os excessos

  1. Antes de iniciar uma atividade física, crianças e adolescentes devem passar por uma consulta com pediatra ou médico do esporte, que vão avaliar a saúde global; definir o grau de maturidade; detectar condições de risco para a prática de esportes; identificar contraindicações à participação; e indicar quais esportes o jovem pode praticar.

  2. Embora não tenham sido estabelecidos critérios objetivos em relação à frequência e à duração ideais da atividade física, de modo geral, mais de duas horas de prática de uma mesma modalidade são consideradas como treinamento competitivo.

  3. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria, crianças a partir de 8 anos podem fazer musculação desde que sob rigorosa supervisão de profissional de educação física. O esquema não pode ultrapassar uma ou duas séries de 8 a 15 repetições com pesos livres. A carga máxima depende da capacidade de cada criança, mas a manifestação de “certo grau de desconforto” é o limite.  A atividade não pode ser realizada em máquinas nem exceder 20 minutos por dia três vezes por semana.

  4. Independente­mente da idade, atletas competitivos devem ser acompanhados pelo pediatra a cada seis meses para avaliação de peso e estatura, entre outros índices. Essa medida visa à detecção de possíveis alterações na curva de crescimento a tempo de serem tratadas e revertidas.

  5. Como regra geral, as atividades físicas recreativas são indicadas após os 7 anos de idade, e as competições,  após os 13. Entretanto, caso alguma criança ou adolescente demonstre, por iniciativa própria, desejos de competir antes dessa idade, devemos incentivá-lo, enfatizando sempre a prevenção de lesões que possam eventualmente ocorrer.

Para o pediatra Ricardo Barros, especialista em medicina do esporte pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e diretor adjunto assistencial do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), a maturação física e psicológica deve ser o principal critério balizador da escolha das atividades físicas, já que as diferenças individuais, mais evidentes durante o estirão de crescimento na puberdade, tornam mais difícil definir as limitações para cada atividade apenas pelos anos de vida.  

O médico destaca que duas situações, antes restritas aos relatos de atletas adultos, vêm sendo observadas em consultórios de pediatras, que nem sempre valorizam devidamente as queixas infantis: o overtraining e o burnout. O primeiro termo se refere a sintomas como cansaço, excesso de lesões, dor generalizada nas pernas, dificuldade para acordar, mudança no humor, perda de apetite, recusa em ir às aulas e queda na performance em competições, associados ao excesso de treinamento.  O burnout é mais grave e se caracteriza por importantes alterações físicas, psicológicas e hormonais que tornam impossível a manutenção do treinamento e exigem cuidados multiprofissionais e interdisciplinares.

 “As lesões osteoarticulares devem ser corretamente diagnosticadas e adequadamente tratadas para evitarmos possíveis danos à placa epifisária (placa de cartilagem, encontrada na extremidade dos ossos de crianças e adolescentes, relacionada ao crescimento) e prejuízos à estatura final”, alerta, acrescentando que crianças e adolescentes acima do peso requerem atenção especial. “Eles devem ser avaliados pelo pediatra, visando prevenir lesões pela falta de condicionamento físico e para orientação sobre a intensidade e a duração das atividades”.

 Fonte: BARROS, R. Atividade física para crianças e adolescentes. In: SOPERJ. Saúde escolar. Rio de Janeiro, 2012.