Bullying: um nome estrangeiro que teve que conquistar seu espaço em outros idiomas, inclusive (e infelizmente) na sociedade brasileira. Por muito tempo desconhecida, essa palavra virou motivo de desconfiança e mesmo de piadas até ser entendida conforme sua seriedade pede. 

Segundo dados mundiais da Unicef, aproximadamente 130 milhões de jovens entre 13 e 15 anos sofrem bullying - e 17 milhões de adolescentes admitiram já ter tomado atitudes agressivas com outros colegas.

No ambiente escolar, essa prática pode ser classificada como uma série de atitudes agressivas ou intimidativas entre estudantes. Mas por mais que a definição possa ser facilmente encontrada, no dia a dia ainda existem muitas dúvidas na hora de diferenciar o bullying de uma brincadeira de criança. 

Para entender, é preciso considerar três aspectos importantes:

  • Intencionalidade: o autor do bullying sabe que sua ação pode machucar ou ser muito desagradável ao outro, mas ainda sim o faz, mesmo que sem nenhuma justificativa aparente.
  • Repetição: essa prática não se resume a atos isolados - ela acontece de forma repetitiva. A exceção fica para o cyberbullying, ou seja, quando a ação é praticada na internet e o motivo é a capacidade que a rede tem de replicar um ato muitas vezes, mesmo que em pouco tempo.
  • Relação desigual de poder: para que o bullying aconteça, é preciso que o alvo se sinta inferior ao autor - e isso pode ocorrer tanto por questões físicas, por desvantagem numérica ou por uma visível diferença de autoconfiança e autoestima.

E ao contrário do que se pode imaginar, nem sempre os alvos têm atitudes passivas ao se enxergarem nessa situação - o que não impede que se sintam afetados pela agressão. Por mais que alguns não consigam se defender, outros têm comportamentos reativos e retaliam o insulto sofrido. É possível também que se sintam culpados pelo bullying ou que, futuramente, se tornem também autores dos ataques.

As consequências na autoestima infantil

Geralmente, quem comete esse ato usa as características físicas dos alvos para insultar - como, por exemplo, o peso acima ou abaixo da média. Como resultado, quem sofre bullying pode entender que o seu próprio corpo é a razão da agressão. E, por isso, passam a adotar comportamentos nocivos para corrigir aquilo que acreditam ser o princípio do problema.

As pesquisas indicam que esses jovens têm duas vezes mais chances de desenvolver distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, do que quem não se encontra nessa situação, por exemplo. 

Mas o problema não é restrito aos alvos: aqueles que praticam bullying também têm mais chances de sofrer com distúrbios. Um dos motivos para isso é que os bullies (como são chamados os autores do ato) podem saber lidar e manipular diferentes situações sociais, mas nem sempre têm tanto sucesso com os próprios questionamentos de autoimagem. 

Além disso, há os que se punem pelo que fazem com o outro e compensem o sentimento na alimentação.

Como identificar os sinais e lidar com o problema

Quem sofre o bullying geralmente dá sinais - sejam eles físicos ou comportamentais. Por isso, é importante acompanhar se a criança ou o adolescente tem apresentado machucados sem razão aparente, inventado desculpas para não ir à escola ou algum ambiente específico, se tem tido alterações frequentes de humor ou comportamento agressivo.

Caso algum desses sinais se apresentem, o diálogo é a chave principal. Uma conversa aberta entre pais e filhos pode aliviar as consequências desse problema, assim como buscar ajuda psicológica profissional caso seja necessário. 

O mesmo se aplica quando o jovem é, na verdade, o autor do bullying. É preciso conscientizá-lo sobre os problemas dessa atitude e buscar entender o motivo para esse comportamento. Além disso, canalizar a atitude agressiva para algum esporte pode ser uma boa saída.

As escolas também têm um papel protagonista nesse cenário: elas devem discutir o assunto com os professores, funcionários, alunos e responsáveis - e é preciso que estejam preparados para identificar e lidar com o bullying e que saibam acolher e proteger os alvos. Atitudes que estimulem a cultura da diferença também trazem boas consequências para o convívio escolar.