A amamentação exclusiva no seio até os seis meses de vida da criança traz vários benefícios à saúde do bebê e da mãe. A partir dessa idade e sob orientação médica, o aleitamento materno poderá ser complementado com outros alimentos. Desse modo, os pediatras só receitam as fórmulas lácteas infantis quando há impossibilidade de a criança receber o leite materno, um nutriente completo. No final do aleitamento natural (aos dois anos), é preciso continuar oferecendo leite às crianças. Aprenda mais sobre o consumo desse alimento na infância.

O leite é a melhor fonte de cálcio? O leite e seus derivados (iogurte natural, queijo branco etc.) são as melhores fontes de cálcio, mineral essencial para o desenvolvimento ósseo da criança e outras funções celulares. Apesar de vegetais como as leguminosas, o brócolis, a couve e o espinafre terem boa quantidade de cálcio, a absorção dele é menor quando comparada à do mineral no leite, assegura o pediatra Walter Taam Filho, do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj).

Posso oferecer a menores de 1 ano? O consumo de leite de vaca por crianças menores de 1 ano de idade é contraindicado. Um dos motivos é que ele pode causar anemia por deficiência de ferro, esclarece o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, professor da Escola Paulista de Medicina (da UNIFESP). Na impossibilidade de usar o leite materno nos primeiros anos, a opção são as fórmulas lácteas com orientação do pediatra. Elas contêm os nutrientes necessários, comenta Taam. Na visão dos pediatras, o consumo de leite de vaca no primeiro ano de vida também está associado à perda de sangue pelas fezes, algo que passa despercebido pelas mães.

O que deve ser observado nas fórmulas lácteas infantis? As fórmulas de primeira linha são boas e têm poucas diferenças. Taam recomenda optar por produtos com ácidos graxos (gorduras boas e essenciais), ARA (ácido araquidônico) e DHA (ácido docosa-hexaenoico), bons para o desenvolvimento da visão e do sistema nervoso do bebê. Essas gorduras também são encontradas em peixes de água fria, como salmão e sardinha, e em vegetais, como a linhaça. Daí a importância de uma alimentação balanceada na gestação e produção dessas gorduras no leite materno.

Quais são os sinais de alergia ao leite de vaca? De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a alergia à proteína do leite de vaca pode se manifestar com lesões na pele com coceira e inchaço, diarreia ou vômitos, anafilaxia (reação mais grave com dificuldade respiratória). Isso não deve ser confundido com a intolerância ao açúcar presente no leite (a lactose), em que há diminuição no intestino da produção da enzima lactase, essencial para a digestão desse alimento. Fisberg diz que o consumo de leite de vaca por crianças menores de 1 ano de idade aumenta a predisposição ao aparecimento da alergia à proteína do leite de vaca e a outros alimentos.

E quanto ao leite desnatado? Pediatras não recomendam o uso de leite desnatado por crianças, porque ele prejudica a absorção de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, que são essenciais para as células e o desenvolvimento saudável.

Qual é a recomendação diária de cálcio? Converse com o pediatra a respeito da quantidade de cálcio diária para o seu filho e sobre as porções necessárias para atingir a meta, dependendo de cada caso. De maneira geral, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indica 700mg por dia para crianças de 1 a 3 anos de idade; 1.000mg por dia, de 4 a 8 anos, e 1.300mg por dia, a partir dos 9 anos.

Será que o leite é mesmo saudável? Em busca dessa reposta, o diretor alemão Winfried Oelsner entrevistou cientistas, médicos, produtores de leite, entre outros especialistas, e produziu o documentário “Milk: Facts, Figures and Beliefs“ (“Leite: Fatos, Números e Crenças”). Em Portugal, foi apresentado pela Rádio e Televisão de Portugal (RTP1). Disponível no YouTube em: <https://youtu.be/QSwszPf1tqk>.

 

Descubra mais sobre a importância do aleitamento materno através do site: <http://www.pediatriaparafamilias.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=66&content=detalhe>.

Veja a “Cartilha para a mulher trabalhadora que amamenta” do Ministério da Saúde, disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mulher_trabalhadora_amamenta.pdf>.

E obtenha mais informações sobre a alergia ao leite de vaca no site: <http://www.pediatriaparafamilias.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=122&content=detalhe>.