O primeiro dia de aula do peixinho Nemo (“Procurando Nemo”, Disney/Pixar) deu uma lição a todos nós: embora ele fosse ‘diferente’ – nasceu com uma barbatana mais curta do que a outra -, seus novos colegas não zombaram dele. Ao contrário, falaram das próprias características que também os tornavam ‘diferentes’. Na vida real, porém, nem sempre aqueles considerados distantes do ideal são acolhidos. Ao contrário, é comum que alunos fora dos padrões, como as crianças obesas, se tornem vítimas de bullying. Nesse cenário, como o professor pode ajudar? 

“O professor é elemento-chave na promoção da igualdade. Mas ele mesmo deve ser preparado para isso”, afirma Marcos Aguiar de Souza, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e um dos autores do artigo “Obesidade infantil e bullying: a ótica dos professores”. Segundo ele, há pouco conhecimento do termo bullying (do inglês bully, valentão, brigão) entre professores, o que sugere desinformação sobre a gravidade do problema e como evitá-lo.

Na pesquisa, os autores observaram também atitudes negativas dos mestres em relação aos alunos obesos, o que indica que há professores que fortalecem o preconceito e criam ambiente favorável ao bullying. Por exemplo, um dos professores entrevistados comentou que “gordinhos não conseguem fazer aulas de Educação Física, têm dificuldade, geralmente ficam sentados, cansados, reclamando”, comenta Aguiar. Afirmações desse tipo contribuem para atos de bullying entre os próprios alunos.