Tania Zagury (*)

 “Como faço para que minha filha (três anos) coma legumes e verduras?”, pergunta-me uma preocupada mamãe. E complementa: “Menorzinha, ela comia de tudo, numa boa; agora, mal divisa no prato qualquer verdinho (pode ser marronzinho ou alaranjado, também) que já rejeita, mesmo sem provar.” E pergunta se é válido disfarçá-los, porque a filha comeria sem perceber. Exemplo: brócolis cozido e batido no liquidificador com feijão fica imperceptível; vagem triturada na massa do croquete, idem. “Minhas amigas fazem assim”, diz ela, “e os filhos comem, o que elimina brigas diárias”. Não é uma questão desprezível. Mas, antes de decidir, há que considerar algumas coisas. A primeira: qual é o seu objetivo quando insiste que comam vegetais e legumes?  Se quer que coma porque acha importante do ponto de vista nutricional, disfarçá-los resolve o problema. Se deseja, porém, que se habituem a comer de tudo porque, além da importância que têm como componente da dieta, sendo menos calóricos, consumi-los contribui para diminuir a ingesta de elementos mais calóricos (macarrão, arroz, doces, balas) ajudando na prevenção à obesidade. Nesse caso, maquilar o alimento não ajudará: ao fazer uma refeição fora de casa em que os verdinhos estarão visíveis, com certeza a criança rejeitará. O ideal é educar o paladar desde cedo, para que a criança comece a apreciar o sabor desses injustiçados. Conversei a respeito com um endocrinologista e soube por ele que há composições que atendem com eficiência as necessidades básicas da alimentação, mesmo sem “verdinhos”. Exemplo: feijão com arroz; uma porção de carne, peixe ou ave, e uma porção de fruta. O que significa – maravilha! – que não há que se desesperar a cada refeição tornando o clima persecutório... A grande vantagem de incluí-los é de fato a formação de hábitos alimentares adequados. Seja qual for a sua opção, é importante que se mantenha à mesa refeições em que todos os elementos da dieta estejam presentes – nem que seja para que a criança se acostume a vê-los. A médio e longo prazos, quem consegue melhores resultados no quesito “refeição saudável” é a família que rotineiramente consome vegetais e legumes. Uma coisa boa a fazer é verificar quais vegetais/legumes seu filho aceita melhor – geralmente, há alguns! Ele pode gostar de milho e detestar ervilha; aceitar bem tomate e rejeitar cenoura. Se come alguns sem reclamar, ótimo! Use-os com frequência. Mais alguns anos e essa rejeição tende a diminuir, especialmente se não tiver se transformado num martírio... Não aceitar “verdinhos” é muito mais comum do que pensam a maioria dos pais. A luta boa é para que a criança incorpore a ideia de que refeição saudável deve ter todos os elementos balanceados e que conheça o papel de cada um na construção da saúde. Mesmo que continue a rejeitá-los ainda por um tempo, saberá que é importante comer. Vale lembrar que, em Educação, tudo demanda paciência e determinação. Sim, o caminho da aprendizagem é longo. Acostume-se à ideia e siga em frente, o objetivo merece nosso esforço!

 (*) Filósofa, mestre em Educação, escritora, autora, entre outros, de "Educar sem culpa, A gênese da Ética"