É quase previsível: aps 6 meses de vida, quando se começa a introduzir a alimentação complementar, boa parte dos bebês rejeita as primeiras papas e deixa mães e pais preocupados. Segundo a pediatra Izabel Rosa Cardoso Pellicciari, os profissionais de saude devem estar atentos aos relatos da família e dar todas as orientações para que um erro nesse momento não prejudique a relação que a criança terá com os alimentos. Além disso, ela afirma, a introdução adequada de novos alimentos evita infecções e estreita os laços afetivos entre a criança e a família.

"Os hábitos alimentares nos dois primeiros anos de vida são determinantes para a saude. Os costumes adquiridos nesta fase vão repercutir em toda a sua vida", destaca ela, que é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e gestora dos programas Prmãe e Bebê e Modelo de Alimentação Saudável, da Amil.

A primeira abordagem é clínica e, naturalmente, deve levar em conta a faixa etária da criança. Se a mãe se queixa de que o filho não come, mas a curva de crescimento está normal, pode ser um sinal de que a falta de apetite da criança esteja sendo supervalorizada pela família. Por outro lado, se a criança apresenta baixo peso ou desvio na curva de crescimento, é preciso verificar se não há anemia, infecção urinária, doenças de repetição, respiração bucal ou alergia alimentar.

Mas a pediatra alerta: antes de associar outras patologias à inapetência, a primeira medida é avaliar se não houve - ou há - erro alimentar. Nesses casos, o acompanhamento de outros profissionais de saude, como nutricionista e fonoaudio, pode contribuir para que a criança se alimente melhor.

Confira as orientações que os profissionais de saude devem repassar às famílias:

_ O estímulo ao consumo de alimentos saudáveis e naturais deve ser diário.

_ Até o sexto mês, o seio materno deve ser oferecido exclusivamente.

_ Avalie se alimentos como sopa, caldo de feijão, biscoitos, salgadinhos, café, refrigerantes, entre outros, foram introduzidos erroneamente na alimentação do bebê.

_ A introdução de frutas e sucos, antes dos 6 meses, em crianças com aleitamento materno, reduz em três vezes a absorção de ferro.

_ A introdução de outras fontes de alimentos deve se iniciar a partir do sexto mês de vida. A rejeição pode ocorrer, e a criança precisa de tempo para essa adaptação. As papas devem ser introduzidas de forma lenta e gradual. Elas não devem ser oferecidas em forma de sopa. As primeiras papas devem ser dadas com a criança no colo da mãe. Esse é o ambiente que ela melhor conhece. A cadeira deve ser evitada no início.

_ É importante seguir as indicações na introdução dos alimentos e evitar outros alimentos no intervalo das refeições.

_ As comidinhas devem ser sempre frescas. Prefira opções de alimentos que combinem entre si.

_ Os horários das refeições não devem ser rígidos, mas é preciso obedecer aos intervalos entre eles e observar se o bebê tem apetite.

- Não ofereça prêmios ou castigos e nem insista para ela comer. Avalie se ela está com fome e se há outros estímulos no ambiente, como TV ligada. A mãe deve interagir com o bebê. Se ele estiver brincando, é sinal de que não está com fome.

_ Não aplique punições em relação ao alimento não aceito.

_ Varie a cor e o sabor dos alimentos. Ofereça-os picados e cozidos no vapor. Tempere com azeite e pouco sal.

_ Ofereça diferentes alimentos ao longo dia, inclusive carnes e mi bem cozidos uma vez por semana.

_ Ofereça frutas. Não há restrições para qualquer delas.

_ Nessa primeira fase, a criança tem uma capacidade muito grande de percepção da saciedade.

_ Não bata nada no liquidificador. Deixe a criança comer os alimentos separados e ver as diferentes texturas.

_ Se a criança recusar um alimento, apresente-o de outras formas. Ofereça até dez vezes em refeições diferentes e em novos tipos de preparação e aspecto. Para as crianças que são mais inapetentes, a oferta em horas certas do dia, criando um hábito relacionado a períodos conhecidos de jejum, ajuda bastante. A criança com pouco apetite deve ser estimulada no horário certo, mas sem excessos.

_ Trabalhe você também o consumo desses alimentos.

_ Evite alimentos como açúcar, café, refrigerantes, salgadinhos e achocolatados nos primeiros anos de vida.

_ Os alimentos industrializados criam predisposição para os quadros de obesidade, colesterol, diabetes. Quando a criança observa um adulto comendo alguns desses itens, não há necessidade de experimentar o alimento. As crianças observam tudo, mas isso não quer dizer que ela esteja com vontade de experimentar um alimento proibitivo.