O pré-diabetes é o primeiro passo para o diabetes tipo 2, mais comum entre adultos a partir da meia idade e acima do peso. Com a epidemia de obesidade infantil, o número de casos entre crianças e adolescentes está aumentando.

 

O endocrinologista Amélio de Godoy Matos, Chefe do Serviço de Metabologia do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), diz que o pré-diabetes se caracteriza por um somatório de fatores, como obesidade, alteração das gorduras no sangue, diminuição do bom colesterol (HDL), alteração da glicose de jejum e aumento da pressão arterial. “Quando o paciente reúne três ou mais dessas condições, está presente a síndrome metabólica, ou seja, está configurado o diagnóstico de pré-diabetes”, descreve o médico.

Matos diz que há outros dois parâmetros para o diagnóstico: quando há alteração da glicose de jejum ou da glicose após o teste de sobrecarga. Entenda mais sobre a doença: 

 

Fatores de risco: “A obesidade por si só é o grande sinal para que adolescentes sejam levados ao médico e examinados”, adverte o endocrinologista. Sedentarismo, excesso de peso e histórico familiar de diabetes também devem ser levados em conta. Além disso, algumas populações são mais suscetíveis à doença, como indígenas - com estilo de vida ocidentalizado – e negros. 

Segundo Matos, é importante ficar atento aos adolescentes, pois estão mais vulneráveis à condição: “Existe um período da adolescência em que se desenvolve um estágio fisiológico normal de resistência à insulina, provocado pelo aumento dos hormônios. Se o adolescente é obeso, isso é acentuado, podendo haver um somatório da resistência fisiológica à insulina”, alerta.

  

Sinais: Matos explica que o pré-diabetes não tem muitos sinais clínicos. Ao contrário do diabetes, que pode se manifestar, por exemplo, com o hábito de beber muita água, urinar muito, perder peso sem fazer dietas, cansaço, desânimo, eventual queda no rendimento escolar. Entretanto, nas populações negras, existe um reconhecido sinal de resistência à insulina, que sugere fortemente o diabetes tipo 2: “São manchas escuras, principalmente ao redor do pescoço e nas axilas, onde a pele fica escurecida e um pouco espessa e rugosa. Muito comum em afrodescendentes com excesso de peso”, explica o médico.

 

Gravidade: o adolescente pré-diabético está em risco de desenvolver diabetes tipo 2, característico de adultos. É uma doença grave, mutilante e que se diagnosticada num adolescente, evidentemente, aumentará o risco de desenvolver complicações do diabetes ainda jovem, ressalta o médico.

 

Como evitar: com adoção de um estilo de vida que inclua adequada orientação alimentar e exercícios. A obesidade é o grande fator de risco não só para o pré-diabetes, mas para doenças cardiovasculares no adolescente. Quanto mais tempo de obesidade, mais precocemente doenças como infarto, hipertensão e derrames, por exemplo, podem aparecer. Matos lembra a importância do estilo de vida: “Hoje, vivemos um aumento no número de horas em frente à TV e aos computadores e videogames. Além disso, hábitos como dormir tarde e dormir pouco também são fatores de risco de obesidade. Sanear os hábitos de sono das crianças e adolescentes, ou seja, fazer com que durmam na hora certa e pelo menos oito horas por noite é o recomendável.

 

É reversível: a boa notícia, porém, é que a condição do pré-diabetes e até mesmo do diabetes tipo 2 é reversível, com mudança do estilo de vida e perda de peso. No caso dos adolescentes, inclusive, a possibilidade é maior. “Há grandes chances de que o adolescente responda melhor ao tratamento do que o adulto. Porque ele tem outras motivações, tem mais tempo e está menos submetido a fatores para obesidade, como o estresse (um importante fator de obesidade). Resultados na nossa experiência mostram que o adolescente perde peso mais facilmente e adere melhor a um tratamento para emagrecer”, esclarece o endocrinologista.

 

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