A obesidade é uma doença prevalente na infância e na adolescência nos países desenvolvidos e também em desenvolvimento, entre eles o Brasil. Em nosso país, a prevalência de excesso de peso em adolescente do sexo masculino é de 21% e de obesidade 5%. Em adolescentes do sexo feminino, 19% e 4%, respectivamente. Nos meninos em idade escolar, 34% e 16% e, nas meninas em idade escolar, 32% e 11 %, respectivamente. Estes dados são do inquérito realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos de 2008 e 2009. Na enorme maioria dos casos, a doença tem como causa o estilo de vida atual, que agrega consumo excessivo de alimentos e sedentarismo.

 Ela é fator de risco para diabetes do tipo 2 e doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico (o derrame). Estas doenças, que no passado acometiam quase que exclusivamente adultos de meia idade e idosos, hoje, graças aos maus hábitos, já atingem adolescentes. Em populações em que a obesidade infantil grave é prevalente, existem inclusive casos de diabetes do tipo 2 em crianças.

 A associação de obesidade, dislipidemia (LDL, colesterol ruim, alto; HDL, colesterol bom, baixo e triglicerídeos elevados no sangue), alterações do açúcar no sangue e pressão alta são os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

 E a obesidade também está relacionada a outras doenças, como asma, apneia do sono, pedra na vesícula, fígado gorduroso, deficiência de ferro, deficiência de vitamina D, problemas renais e ortopédicos, diversos tipos de câncer e problemas psicossociais.

 A obesidade está associada à puberdade precoce e síndrome de ovários policísticos. Chama-se puberdade a época de início e evolução das características sexuais que, na menina, são mamas e pelos e culmina com a primeira menstruação, nos meninos, aumento dos testículos, do pênis e pelos. É considerada normal se iniciada entre 8 e 13 anos na menina e entre 9 e 14 anos no menino. A síndrome dos ovários policísticos cursa com excesso de androgênios (hormônios masculinos), excesso de pelos, irregularidade menstrual, cistos nos ovários e pode ser causa de infertilidade.

 A puberdade, que se inicia antes da época nas crianças obesas, não costuma ser causa de problemas futuros, mas o pediatra deve encaminhar ao endocrinologista pediatra a fim de avaliar a possibilidade de perda de estatura na idade adulta e a possibilidade de a criança vir a completar sua puberdade muito rapidamente. Esta precocidade aumenta os inconvenientes de um indivíduo psicologicamente imaturo, mas fisicamente maduro. 

 Os pais devem levar seus filhos regularmente ao pediatra, e prevenir a obesidade promovendo estilo de vida saudável. A alimentação saudável deve ser construída e estimulada durante toda a infância, lembrando que o exemplo que os pais dão é importantíssimo.

 Na consulta pediátrica, o pediatra deve realizar o cálculo do índice de massa corporal (IMC) e usar as referências disponíveis para analisar a presença de excesso de peso. Estas referências – as curvas de crescimento – constam da caderneta da criança e da caderneta do adolescente, ambas do Ministério da Saúde.  Estas curvas, que estão disponíveis no site da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, podem ser anexadas ao prontuário da criança pelo pediatra.

 A melhor forma de prevenção de todos estes males é alimentação saudável, atividade física e consultas regulares ao pediatra.     

 * Isabel Rey Madeira é endocrinologista pediatra e presidente do Comitê de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ)