(ONUBR – 06/10/2017)  Estima-se que 41 milhões de crianças menores de 5 anos sejam obesas ou estejam acima do peso no mundo. As informações são de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que lançaram na quarta-feira (4) novas diretrizes para enfrentar o que eles consideram uma epidemia global.

Diante de evidências que indicam que o problema afeta tanto países desenvolvidos, quanto em desenvolvimento, a OMS divulgou detalhes sobre como profissionais treinados podem identificar melhor os jovens que precisam de ajuda. As diretrizes publicadas para tratar a obesidade incluem aconselhamento e dieta, avaliação dos hábitos alimentares, além das mais comuns medições de peso e altura.

A OMS diz que a prevalência de obesidade em crianças reflete mudanças comportamentais que privilegiam dietas não saudáveis e inatividade física. Urbanização, o aumento da renda, a disponibilidade de fast-food, o aumento das demandas educacionais e do tempo diante da televisão e de videogames levaram a uma elevação no consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcar e sal e a menos prática de atividade física.

Embora tenham sido feitas grandes intervenções de saúde pública para promover uma dieta saudável e atividade física para adultos, a contribuição de intervenções para jovens e crianças para reduzir o risco de obesidade na vida adulta não foi significativamente priorizada, segundo a OMS.

 Abordagem em adultos.

O manual recomenda que o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) seja realizado para todos os pacientes com menos de 60 anos que procuram a rede prestadora de serviços ambulatorial e hospitalar. A captação deste dado de saúde irá permitir o direcionamento para estratégias de prevenção e tratamento precoce, reduzindo a morbimortalidade do indivíduo e custos no sistema de saúde. As condutas a serem adotadas com os pacientes após a estratificação realizada com base no cálculo do IMC podem ser resumidas em duas abordagens a serem trabalhadas: adoção de hábitos de vida saudáveis – com base na alimentação adequada e prática de atividade física – e tratamento clínico da obesidade, podendo incluir a adoção de medicamentos e, em casos específicos, a realização de cirurgia bariátrica. 

Recomendações para a adoção de hábitos de vida saudáveis: 

Manter uma alimentação saudável, baseada nos dez passos para uma alimentação adequada, sistematizados pelo Guia Alimentar da População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014); 

Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação;

Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados – salsichas, linguiças, salames e presuntos, entre outros – e de alimentos preparados em frituras de imersão (batata frita, salgados);

Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e evitar caldos industrializados;

Reduzir a ingestão de açúcar, gordura saturada e sal;

Aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes;

Aumentar a prática de atividades físicas. 

 Abordagem clínica da obesidade. 

O manual preconiza como abordagem clínica do tratamento da obesidade a adoção de estilo de vida com hábitos saudáveis em conjunto com a adoção de medicamentos, quando necessário; e, nos casos de perda de peso insuficiente e de pouca melhoria no quadro das comorbidades, a realização do tratamento cirúrgico. 

O objetivo do tratamento com medicamentos é a perda de 10% do peso corporal, o que determina melhora das complicações da obesidade, como diabetes e hipertensão arterial. Atualmente, quatro medicamentos são registrados para o tratamento da obesidade pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são utilizados de acordo com diretrizes clínicas específicas. 

 Tratamento cirúrgico. 

A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes obesos que não apresentaram resposta ao tratamento clínico com medicamentos e mudanças de estilo de vida. A realização da cirurgia determina perda de peso de 20% a 35% do peso inicial após dois ou três anos do procedimento, o que está associado à melhora de complicações da obesidade, como diabetes tipo 2 e câncer, além de aumentar o tempo e a qualidade de vida dos pacientes. 

A recomendação de cirurgia bariátrica na saúde suplementar deve seguir a diretriz de utilização, conforme estabelecido no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que prevê a cobertura obrigatória por planos de segmentação hospitalar (com ou sem obstetrícia) e por planos-referência. As diretrizes de utilização adotadas pela ANS indicam as características e as condições de saúde nas quais os ganhos e os resultados clínicos decorrentes da cirurgia são, de fato, relevantes para os pacientes, segundo a literatura científica e os conceitos de Avaliação de Tecnologias em Saúde. 

O manual detalha os critérios para a indicação da cirurgia e a recomendação de procedimentos pré e pós-operatórios, bem como as contraindicações. “Apresentamos os aspectos fundamentais na abordagem da equipe multidisciplinar de cirurgia bariátrica, como a importância do acompanhamento médico e nutricional pelo resto da vida e a implementação de mudanças de estilo de vida que incluam a prática de atividade física e dieta equilibrada. Os pacientes que serão submetidos ao procedimento devem receber informações realistas quanto às necessidades no pós-operatório, uma vez que a cirurgia não é a cura para a obesidade, mas um tratamento que ajuda no seu controle”, explica a diretora Karla Coelho. 

 Sobre o Grupo Multidisciplinar para Enfrentamento da Obesidade.

Composto por pesquisadores, técnicos da ANS e representantes de entidades da área da Saúde, o grupo realizou diversas reuniões ao longo de 2017 no esforço conjunto de sistematizar diretrizes pautadas em estudos científicos, publicados no Brasil e no exterior, que apontem para a integração entre procedimentos de prevenção e cuidado da obesidade. 

Participam do Grupo: 

Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS

Ministério da Saúde 

Instituto Nacional do Câncer – INCA 

Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP 

Conselho Federal de Nutricionistas – CFN 

Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul 

SESI 

Site Panelinha 

Serviço Social do Comércio – SESC 

Serviço Social do Comércio de São Paulo – SESC SP 

Conselho Federal de Educação Física – CONFEF 

Endocrinology and Sports Medicine 

Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo 

Conselho Federal de Odontologia – CFO 

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica 

Associação Brasileira de Stress 

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Fonte: https://nacoesunidas.org/oms-lanca-novas-diretrizes-de-combate-a-obesidade-infantil-no-mundo/