(Ministério da Saúde – 15/03/2017) Com atenções voltadas para o crescimento da obesidade em brasileiros na faixa de 12 a 19 anos, o Governo Federal firmou ontem, no “Encontro Regional para o Enfrentamento da Obesidade Infantil – Rumo à Implementação da Década de Ação para Nutrição da Organização das Nações Unidas”, acordo para reverter o quadro de sobrepeso infantil no país.

A representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Monica Padilha, ressaltou a importância do encontro. “O aumento de peso nos últimos anos afetou 3,9 milhões de crianças. A maioria delas está na América do Sul. O desafio agora é fazer com que todos os países adotem estratégias mais efetivas para prevenir o excesso de peso. Desejamos que esse encontro atinja todos os objetivos e encoraje a participação dos vários países na implantação de compromissos reais na pauta da obesidade infantil.”

A década de ação da ONU representa a oportunidade para fortalecer políticas, programas e investimentos para a erradicação de todas as formas de má nutrição. O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco para doenças como diabetes, hipertensão e câncer.  Atualmente, a prevalência de sobrepeso ou obesidade em crianças de 5 a 11 anos varia de 18,9% a 36,9 % e de 16,6% a 35,8% em adolescentes de 12 a 19 anos.  

Em sua participação na mesa de abertura do encontro, a coordenadora geral de Alimentação e Nutrição, Michele Lessa, ressaltou o compromisso do Governo Federal com a pauta. “O Brasil foi formalmente, perante a OMS e a FAO, expressar o compromisso com as metas da ONU, que são: deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019; reduzir em 30% o consumo de refrigerantes e sucos artificiais; e aumentar em 17,8% o consumo de frutas e hortaliças. É importante lembrar que essas metas estão destacadas no Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e no Plano Nacional de Saúde. E agora oficializamos também aqui neste encontro.”

O preço dos alimentos foi um dos temas abordados na fala de Eve Crowley, a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe. “Vivemos uma crise. O preço de uma caloria de um alimento altamente processado é muito menor que o valor de uma caloria de alimento saudável. É por isso que em países como o Chile 27% da população não podem pagar uma alimentação saudável, segundo estudos. Na Argentina, comida saudável é 1,8 mais cara que produtos industrializados”, ponderou.

Falou também sobre esforços para incentivar o desenvolvimento da agricultura familiar próxima aos centros urbanos. Essa iniciativa diminuiria as perdas durante o transporte bem como o preço para os consumidores. E, por fim, lembrou que a sociedade perdeu nos últimos anos a cultura culinária. “Neste momento, temos a necessidade do renascimento da cultura caseira. Mas, agora, com o equilíbrio das responsabilidades domésticas entre homens e mulheres, meninos e meninas, podemos incentivar a participação das crianças no preparo do alimento”, refletiu.

“Nosso desafio é incentivar as pessoas a adotarem uma alimentação correta: descascar mais e desembalar menos. E é preciso ensinar desde cedo a manipular os alimentos. As crianças, hoje, não têm oportunidade de acompanhar a preparação dos alimentos e aprender a cozinhá-los. Além disso, o sedentarismo é alto e tem muito a ver com a obesidade. Precisamos mudar os hábitos do dia a dia para enfrentar o desafio da obesidade”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, encerrando a mesa do encontro.

Fonte: http://dab.saude.gov.br/portaldab/noticias.php?conteudo=_&cod=2322