(Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – 20/03/2018) Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), preocupado com o aumento da obesidade em crianças e adolescentes na América do Sul, decidiu estudar este fenômeno e suas consequências em sete cidades do subcontinente.

Para a investigação e melhor compreensão do crescimento da obesidade infantil, os pesquisadores criaram um novo método que permite acessar fatores como hábitos alimentares e atividade física, e que é passível de ser utilizado nas diferentes regiões e contextos e econômicos. “É como trabalhar com uma régua, temos que usar a mesma régua para as diversas situações”, explica Heráclito Barbosa Carvalho, epidemiologista da FMUSP.

A metodologia é baseada em um questionário, aplicado nas cidades que serão estudadas. Uma avaliação desta padronização, que inclui condição socioeconômica e fatores ambientais como determinantes da saúde cardiovascular nesta população, foi recentemente publicada na revista científica Obesity, da The Obesity Society (sociedade americana de estudos sobre obesidade). O Núcleo de Divulgação Científica da USP traz mais informações nos vídeos abaixo: 

https://www.facebook.com/cienciausp/videos/703401356450743/

https://www.youtube.com/watch?v=c1WfcDUIvWQ

Em 2016, a taxa de obesidade foi maior na Polinésia e na Micronésia em meninos e meninas, com 25,4% em meninas e 22,4% em meninos, seguidas por regiões de língua inglesa de alta renda, que incluem os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Reino Unido.

As áreas com o maior aumento no número de crianças e adolescentes obesos foram o Leste Asiático, regiões de alta renda de língua inglesa, Oriente Médio e o Norte da África. Nauru foi o país com maior prevalência de obesidade entre meninas (33,4%) e as Ilhas Cook apresentaram o maior número de meninos obesos (33,3%).

Na Europa, meninas em Malta e meninos na Grécia apresentaram as maiores taxas de obesidade, que representaram 11,3% e 16,7% da população, respectivamente. Meninas e meninos na Moldávia apresentaram taxas de obesidade mais baixas, com 3,2% e 5% da população, respectivamente.

Meninas no Reino Unido tinham a 73ª maior taxa de obesidade do mundo (6ª na Europa); meninos tinham a 84ª maior taxa obesidade do mundo (18ª na Europa). Meninas nos EUA tinham a 15ª maior taxa de obesidade do mundo; meninos tinham a 12ª maior taxa de obesidade. Entre países de alta renda, os Estados Unidos apresentaram as maiores taxas de obesidade para meninas e meninos.

IMC: O maior aumento do IMC entre crianças e adolescentes durante as quatro décadas ocorreu na Polinésia e na Micronésia, tanto para meninos quanto para meninas, e no centro da América Latina para meninas. O menor aumento do IMC de crianças e adolescentes durante as quatro décadas cobertas pelo estudo foi percebido na Europa Oriental.

O país com o maior aumento de IMC para meninas foi Samoa, que cresceu 5,6 kg/m2. Para meninos, foram as Ilhas Cook: 4,4 kg/m2.

Desnutrição: A Índia apresentou a maior prevalência de desnutrição moderada e grave durante estas quatro décadas (24,4% das meninas e 39,3% dos meninos apresentaram desnutrição moderada ou grave em 1975 e 22,7% e 30,7% em 2016). Noventa e sete milhões das crianças e adolescentes nessas condições viviam na Índia em 2016.

 Fonte: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/estudo-avalia-saude-cardiovascular-de-criancas-na-america-do-sul/